Saúde & estilo de vida

A trajetória do ser humano individual

Durante sua vida, cada ser humano recapitula as fases de desenvolvimento da humanidade.

Cada criança tem sua fase paradisíaca: é o período em que se encontra sob a proteção dos pais, familiares e, posteriormente, professores. Nesse período ela ainda irradia uma ingenuidade e pureza cósmicas, e não possui muita consciência do mundo exterior. Chega, porém, o momento em que não aceita mais essa proteção e quer descobrir e compreender o mundo à sua volta. Ela deixa o Paraíso: não é expulsa dele. Isso se dá por volta dos catorze anos de idade, junto com a puberdade. Nesse momento o jovem alcança o que foi denominado por Steiner a “maturidade terrestre”.

A partir de então começa o lento afastamento da origem. Ao desenvolver o pensar abstrato, o jovem distancia-se cada vez mais dos pais: frequentemente isso é interpretado como rebeldia, mas é com seu Eu chocando-se contra o de outros que o jovem o desenvolve. Ao mesmo tempo, torna-se cada vez mais consciente do mundo e de si mesmo, desenvolve o discernimento, passa a ter opinião e julgamento próprios. Aos poucos vai adquirindo cada vez mais conhecimentos acerca do mundo que o rodeia, para futuramente poder atuar nele, tanto no âmbito profissional quanto no social. Além de ainda fazer seu aprendizado profissional com a orientação de adultos, o desenvolvimento ulterior do jovem tem de ser realizado por ele mesmo, mediante o conhecimento e o discernimento adquiridos, ele também deve arcar cada vez mais com as consequências de seus próprios atos. Uma vez atingida a maioridade, ao redor dos 21 anos, a pessoa não pode mais ser educada por outra: todo aprendizado futuro ocorre, então, por meio da autoeducação.
Em seguida vem a fase do afastamento quase máximo, quando a pessoa adulta vive e atua no mundo exterior. Ela é exposta às mais diversas experiências, positivas e negativas, precisando aprender a superar as inevitáveis crises – enfim: passa por um amadurecimento interior.

Alguns adultos estão muito satisfeitos com a vida que levam: têm todos os seus desejos satisfeitos e se entregam plenamente à vida profissional e ao consumismo, não tendo outros anseios.

Outros talvez não se sintam tão bem assim nesse mundo adulto; eles vivenciam uma nostalgia profunda da infância, da vida despreocupada, quando os adultos cuidavam de tudo, eles mesmos não tinham de responder por seus atos, ou seja, não tinham responsabilidade própria. Trata-se de uma atitude muito cômoda, sem necessidade de tomar decisões, deixando-se levar pelos outros. No entanto, a pessoa deixa de ter a possibilidade de lutar por algo, de obter conquistas pessoais e de fortalecer seu Eu, uma das missões do ser humano na Terra.

Um terceiro grupo talvez queira atingir rapidamente as metas propostas, a qualquer custo, sem se preparar suficientemente, queimando etapas. Nesse afã, às vezes chega a ‘atropelar’ outras pessoas, não se importando em eventualmente prejudicá-las, e sem se dar conta do prejuízo causado ao próprio desenvolvimento; pois pode ser até mesmo arriscado alcançar determinadas metas sem ter adquirido os fundamentos necessários, sem conseguir avaliar de antemão as eventuais consequências.

Há também pessoas bem adaptadas às condições sociais terrenas e cujas necessidades são plenamente satisfeitas; elas, porém, almejam algo mais elevado do que a comodidade física. Atingir esse aspecto mais elevado e sutil, cuja satisfação não se encontra no âmbito físico, mas anímico-espiritual, depende exclusivamente delas mesmas, de sua busca pessoal. Quando esses ideais despertam nelas, começa uma intensa busca e luta interior que exige um grande esforço para sua realização. Mesmo que as metas não sejam plenamente atingidas, pode-se notar um crescimento individual com a aquisição de diversas habilidades anímicas, nos mais diferentes campos.

Pode-se notar que esses quatro caminhos distintos correspondem às mesmas possibilidades mencionadas quanto ao desenvolvimento ulterior da humanidade. Cada pessoa tem a liberdade de escolher o caminho que pretende trilhar. Certamente existe a possibilidade de, no decorrer da caminhada, escolher outro percurso, diferente do anteriormente escolhido. A maior parte da vida adulta transcorre nessa busca (ou não) por uma trajetória de vida.

Finalmente o ser humano chega à velhice, e esta dependerá em grande parte de como foi estruturada a fase anterior. Sem dúvida alguma o desejo de todas as pessoas é chegar à velhice tendo conseguido alcançar sua meta, além de ter lucidez e saúde. Quando lucidez e saúde são apenas desejos egoístas, mesmo no sentido de não dar trabalho a outros, deixou-se de desenvolver um atributo importantíssimo: o amor altruísta. Porém, é algo totalmente distinto desejar lucidez e saúde para poder irradiar sabedoria e bondade e repartir toda sua experiência de vida com os mais jovens. Contudo, somente quem adquiriu saber, acumulou experiências (boas e ruins), terá algo para repartir ou doar. Afinal, apenas se pode doar algo que se possui. Portanto, a meta verdadeira do desenvolvimento individual é desenvolver sabedoria (conhecimento mais vivências exteriores e interiores) e compartilhá-las com outros, doando-a numa atitude de amor altruísta.

Do mesmo modo como na evolução da humanidade ainda está em aberto o rumo que esta irá seguir como um todo, também na evolução individual de cada pessoa está em aberto com será a fase final de sua vida.

Extraído do livro Enfermidade e Cura – o caminho interior do terapeuta à luz da cura do Rei do Graal, de Sonia Setzer, Editora Antroposófica, São Paulo, SP, 2012.


 

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